08/07/2014
- FOLHA DE S. PAULO
A região de Campinas (a 93 km de São Paulo) é considerada pela polícia paulista como uma das mais problemáticas com relação a roubo de cargas, o que já lhe rendeu a alcunha de "triângulo das bermudas".
Só no ano passado, foram registrados 657
crimes desse tipo na região, o que representou aumento de 55% em comparação com
2012 (com 425 casos).
Embora represente menos de 10% dos crimes
registrados no Estado, a preocupação dos policiais é motivada pela organização
de quadrilhas que agem na área e por haver ações de grande porte.
Já houve registro, na região de Campinas,
de quadrilhas que utilizaram metralhadoras de calibre.50 --armamento empregado
para derrubar aeronaves-- para interceptação de veículos em rodovias.
Investigações do Ministério Público de São
Paulo também identificaram grupos com ligação com a facção criminosa PCC agindo
exclusivamente nesse tipo de assalto.
Um dos motivos, segundo os policiais, é o
fato de que a região é um importante polo tecnológico e também corredor por
onde passam cargas valiosas.
Estima-se que metade das cargas valiosas
do Estado passem por ali.
A própria Samsung, atacada agora, já foi
vítima de ação criminosa no ano passado, quando foram levados 900 celulares.
A carga, recuperada parcialmente mais
tarde, estava estimada em R$ 1,4 milhão.
Há ainda registro de crimes praticados
contra empresas como LG e Dell, também na região.
Nos primeiros cinco meses deste ano, os
roubos de carga na região de Campinas tiveram pequena queda (3%) em relação ao
mesmo período de 2013 (de 235 para 228 registros).
O Estado, por outro lado, registrou
aumento de 17%. Nos primeiros cinco meses, foram registrados 3.642 casos, ante
3.112 do mesmo período de 2013.
DIVERGÊNCIA
Embora o crime desta segunda (7) tenha
sido praticado por quadrilha especializada, pode não ser contabilizado nas
estatísticas como roubo de carga.
Isso porque há divergência entre policiais
sobre resolução publicada no ano passado pelo governo paulista (SSP 81/2013).
Para alguns, essa definição de roubo de
carga só se configuraria se o material, mesmo no depósito da empresa, estivesse
sob responsabilidade da transportadora. Como isso não ocorreu no ataque à
Samsung, o caso deverá ser registrado como roubo a estabelecimento e
considerado assalto comum.
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